sábado, 3 de janeiro de 2009

O Futebol, pode...



Ao contrário do que ocorre no futebol, educadores populistas não aceitam que na educação se selecionem os alunos mais promissores e se dêem a eles as condições para que desabrochem seus talentos.

Quantos clubes de futebol têm escolinhas para garimpar e lapidar futuros jogadores. São muitas e merecedoras de aplausos as escolinhas, pelo trabalho de identificar e preparar os jogadores que nos fascinarão com a sua magia. A regra é simples: olheiros garimpam talentos e trazem os melhores para o regime férreo da escolinha. Ao fim das Olimpíadas de 2004, descobriu-se o óbvio: se fizéssemos o mesmo em outros esportes, conquistaríamos mais medalhas.
Mas, curiosamente, educadores de estirpe populista não aceitam que se faça o mesmo na educação, selecionando os alunos mais promissores e dando a eles as condições propícias para que desabrochem seus talentos. Um alto funcionário do MEC confessou candidamente que lhe dói o coração ver alguém sendo premiado. Renegando a Olimpíada de Matemática, porque só premia alguns poucos vencedores, pergunta outro dignitário: e os pobres?
Mas essa é a pescaria que vai escolher aqueles que irão desempenhar funções de liderança, receber responsabilidades maiores na administração e impulsionar a ciência. São eles os que podem mudar o país.
De fato, nenhuma nação séria se dá ao luxo de desperdiçar talentos latentes. Todas têm mecanismos competentes para pescar os talentos que se escondem nas camadas mais modestas da sociedade – dos alunos mais ricos, as próprias famílias cuidam. Nos Estados Unidos, há as chamadas magnet schools e muitas universidades têm programas voltados para alunos superdotados do ciclo básico. A Rússia sempre teve tais programas. Artistas, atletas e os superdotados eram desviados para escolas especiais. Cuba faz o mesmo.
Nossos governantes acham feio tirar os pobres talentosos do meio em que vivem (os países ricos estão errados, só nós estamos certos!). Mas, segundo os psicólogos especializados, esse meio abafa os talentos. Os colegas obrigam muitos a fingir mediocridade para não serem marginalizados. Outros enterram seu talento por não serem socialmente aceitos. Os próprios pais não os valorizam, e há os que preferem esmagar traços tão inquietantes. Os professores recusam tais alunos, cruz-credo, por não saberem como lidar com eles. Mas a doutrina dos gurus de plantão é que não se pode tirá-los do seu meio (ficam assim mais acessíveis para ser recrutados pelo narcotráfico, que gosta de talentos).
Acreditando que não há maior riqueza em um país do que cérebros bem preparados, uma instituição filantrópica privada chamada Ismart (www.ismart.org.br) criou programas para identificar superdotados pobres, em escolas públicas, e prepará-los para ganhar uma bolsa de estudos em boas escolas privadas do Rio e de São Paulo. O objetivo é que passem em vestibulares de primeira linha. Com o aperfeiçoamento do programa, os testes serão substituídos por "olheiros" acadêmicos, isto é, professores treinados para observar os alunos, na busca dos que têm os melhores prognósticos de uma carreira escolar destacada.
Pode haver maior justiça social do que permitir aos bem-dotados pobres atingir os mesmos píncaros profissionais que os ricos atingem? Pode haver maior desperdício e injustiça do que deixar fenecer em escolas medíocres os futuros Einsteins e Bill Gates?
Pois bem, ao programa custou obter autorização para aplicar os testes que identificam os mais talentosos nas escolas públicas do Rio. Em São Paulo, foi negada. Não é politicamente correto identificar quem são os superdotados. É palavra feia. Que persista a maldição da mediocridade para todos. Burocratas até sugeriram que o programa fosse transformado em um outro para alunos com dificuldades.
Infelizmente para o país, existem poucos programas como o Ismart. Embraer/Pitágoras tem uma escola, há uma em Lavras e em Brasília há algo do gênero. Podemos selecionar atletas, podemos garimpar diamantes brutos no cascalho. Mas é pecado ideológico garimpar as inteligências que brilham como diamantes. Essa é a noção de justiça social de alguns dos nossos educadores. Dos superdotados, lapidaremos apenas os ricos, pois o Estado não consegue impedir as ações paternas para valorizá-los. Mas, no futebol, pode.
Claudio de Moura Castro

Um comentário:

cady disse...

Educação engloba ensinar e aprender. Segundo o dicionário educação significa desenvolver e orientar as aptidões do indivíduo. " EDUCANDO VOCÊ ESTÁ INFLUENCIANDO O INDIVÍDUO A NÃO SE DEIXAR INFLUENCIAR."Será que podemos melhorar a educação em nosso país? Acredito que para esta melhora ocorrer e atenuar os problemas educacionais em nosso país, tem que haver maior comprometimento do governo, e da iniciativa privada. Realmente a situação da educação no Brasil é muito crítica. Convém a cada um de nós como membros da sociedade, cobrar pelos nossos direitos.